“What’s Left?” de Nick Cohen

In english can be found here.

What’s Left?Dá uma olhada na: Esquerda que se agarrou e depois derrubou os oponentes de Saddam Hussein; como a União Europeia permitiu que Slobodan Milosevic limpasse etnicamente os Balcãs; as razões para a desilusão da classe média liberal com a democracia e a liberdade de expressão; a disposição instantânea de escritores respeitáveis de desculpar Osama bin Laden e a Al-Qaeda após os ataques de 11 de setembro; a incapacidade dos liberais-democratas britânicos e dos sociais-democratas europeus de se opor a George W. Bush ao mesmo tempo que apoiam um Iraque livre; o crescimento do anti-semitismo educado; e a propensão dos liberais em todos os lugares a retratar um movimento fascista clerical global como uma resposta racional à provocação ocidental. – Nick Cohen, autor de What’s Left?

Este livro levou-me quase um ano para finalmente me dedicar a ler, se não mais. Apareceu-me recomendado na mesma altura em que os progressistas Democratas americanos, e seus aliados anti-fascistas, decidiram que a censura de tudo que não alinhava com a sua agenda era a forma mais eficaz, e correta, de lidar com os problemas do país, e trazer justiça aos grupos que se gabam de proteger. O livro atraiu-me por duas razões muito simples: a primeira foi o facto do autor ser, ou ter sido a maior parte da sua vida, de esquerda, e trazia uma perspetiva de dentro que visava criticar este novo espírito revolucionário que tinha mais em comum com o os regimes que criticam; a segunda razão está na minha partilha pela confusão que este fenómeno me cria na cabeça, e genuinamente quero entender a esquerda, ainda que a conclusão que tiro hoje é que nem eles se entendem, mas ainda assim vão ganhando influência e algumas eleições.

Temos a liberdade para votar, fazer lobbying, protestar, escrever e falar, e a própria esquerda faz uso total destas mesmas liberdades, e no entanto nunca aprecem agradecer por isso, e querem mais e mais, não aproveitando os seus benefícios devido à sua mentalidade constante de ‘no pasarán’, de infinito estado de revolução. Pintaram o liberalismo como uma ideologia autoritária onde responsabilidade é vista como intervencionista, e assumem já que falhou, não querendo continuar o processo. Tomaram conta de instituições, ao ponto que a comunicação social, as companhias privadas, e a academia lhes dão abrigo e apoio, e no entanto acreditam ainda assim estarem contra o sistema, mesmo quando em certos países o próprio governo é de esquerda. Parece que estamos finalmente a assistir a um ressurgimento da antecâmara socialista rumo ao comunismo.

Ele usa uma terminologia própria. Nick Cohen usa a Esquerda como generalização: extrema-esquerda significa os Leninistas que restam, que pensam conseguir poder através da coação. São poucos, mas significativos, infiltrados em grupos maiores incluindo a academia. Umas vezes chama-os de “Chomskyans”, outras de niilistas, porque seu programa nunca é positivo mas cínico. Entre a esquerda totalitária e democrática existe uma enorme clivagem. Entre a classe trabalhadora e classe média, existe essa mesma clivagem, onde a primeira luta por melhor salário e condições, e a segunda por liberalismo social e sexual. Sindicatos são chamados pelo autor de velha esquerda.

Os liberais – não de forma derrogatória como os americanos usam – de classe média de esquerda são Democratas Liberais, Democratas Cristãos Liberais, Gaulistas Europeus e Democratas nos EUS, e ainda existe a como classe média apoiante de trabalhadores e democratas. Cohen não consegue classificar bem a Nova Esquerda (New Labour), e classifica a Esquerda-Liberal como toda a esquerda. Tomem nota que o livro é de 2007 e Cohen é britânico, filho de pai judeu – algo importante devido a posições fortes descritas no seu livro, principalmente quando existe uma parte da esquerda, neo-racista, que consegue ser anti semítica “pela igualdade.” Qualquer menção sobre ‘cancelamento’ ou ‘esquerda de hoje’, ou algo mais recente, será mais baseada nas minha reflexões do que transpirou de 2007 para 2021, logo não são do autor.

Aparentemente foi bem recebido, mas parece que a crítica que mantenho hoje é similar a muitos críticos da altura. Será que todas a situações descritas neste livro foram catalisadores para o estado da esquerda de hoje? Será que ele simplesmente apontou algumas situações que favoreciam a sua tese, ainda que tenham sido verdadeiras e com algum impacto no círculo intelectual onde ocorreram, mas ao fim do dia será que passaram cá para fora? No entanto a minha posição não é a mesma que a maioria destes críticos. A lógica deles vêm de acharem que estes exemplo são das franjas e de gente maluca que fala muito alto mas não faz mossa na política. É uma posição similar a ex-membros do Lincoln Project, como Tom Nichols, que passou o tempo a ignorar os progressistas e radicais do partido Democrata, com ideias “estúpidas” (retirar financiamento à polícia, quotas raciais, etc) de forma a apoiar candidatos Democratas numa missão de retirar Donald Trump do poder, e acontece que agora estes movimentos ajudaram o Presidente Joe Biden a ganhar as eleições e este, no meio da sua virtude moderada, está a pagar-lhes os favores através de Ordens Executivas. E como resposta os Republicanos abraçaram grupos como Qanon, a nostalgia dos tempos pré-Direitos Civis, e juntaram-se à orgia de loucos.

Convém sempre relembrar que muitas das decisões que mudam o jogo e afetam a direção do mundo, nem sempre têm origem no Senado ou no Parlamento, mas sim fora dele, através de think-tanks e sedes dos partidos. O fator humano tem imensa importância. Haverá certamente casos, como uma visita diplomática, onde a visita acaba repentinamente mas aparentemente correu tudo normal, e a comunicação social não faz muito caso disso, quando na realidade alguém na delegação disse algo que não devia e o representante local ficou chateado e acabou ali a conversa, mandando todos dali para fora. O pessoal que está hoje na política vem de um mundo familiar e pequeno, grande chance que se conhecem quase todos. Não seria improvável saber que um tipo da direita Marialva que vá televisão possa ser primo de uma apresentadora de TV de outro canal; grande chance que a juventude mais influente de hoje na política portuguesa, seja em grande parte dali de Cascais; Não será surpreendente que os decisores em Lisboa, Londres e em Washington, seja na política ou na comunicação social, estudem, comam e durmam nos mesmos blocos. Logo não é surpreendente que se forme uma espécie de “pensamento coletivo” onde qualquer deviação seja igual a perda de estatuto e confiança, e será muito difícil que a ideologia por trás de uma decisão seja tão diferente quanto a original, e com alguma investigação, lá se apanha o intelectual ou até mesmo conselheiro culpado (ou culpados) de prosseguir com uma decisão, mas quem já pagou por isso perdeu as eleições. Perdeu as eleições, ou perdeu um cargo, ou então está a fazer de tudo para desviar as atenções para um escândalo sexual, ou OVNIS, e com sucesso.

Nick Cohen seria neste caso o homem no terreno que viveu a mudança cultural e ideológica à esquerda, e veio para contar a história. Conheceu, criticou e escreveu durante a sua vida sobre as pessoas à volta da mudança. Sem qualquer sombra de dúvida existem sempre variáveis incontroláveis, e eventos que esculpam a paisagem política, mas todos os assuntos em que ele toca tiveram consequências que ainda hoje estão à vista, cujas personagens ainda hoje se ouvem falar, bem ou mal. A mais marcante foi talvez a história sobre uma esquerda que levou a sua vida a odiar regimes fascistas, ao ponto de apoiar toda e qualquer intervenção para os quebrar, só para mais tarde, em Fevereiro de 2003, Cohen se desapontar com as marchas organizadas pela mesma contra a guerra no Iraque.

Dizer que a Invasão do Iraque foi controversa estaria a subestimar, e quando questionamos a legalidade da mesma, as sirenes disparam. Não é para dizer que as preocupações não foram legítimas, e certamente as milhões de pessoas que saíram à rua para protestar contra a guerra beberam de fontes que fizeram um bom caso, especialmente quando a narrativa da “invasão pelo petróleo” tomou gás. Os contribuinte estavam exaustos de estar décadas a suportar intervenções militares cujo resultado eram crises no estrangeiro e em casa. Mas Cohen descreve o regime de Saddam Hussein como fascista em todos os sentidos, ou pelo menos, como a esquerda da altura descrevia fascismo. Saddam era conhecido pelas crianças por Baba Saddam Hussein – Pai – e a próxima geração viria a reconhecer o líder do seu país como uma figura paternal. Os Baathistas usavam uma policia secreta inspirada pela Stasi, antiga polícia secreta alemã durante a Guerra Fria, no qual até as cabeleireiras trabalhavam como informadoras, reportando tudo o que as mulheres contavam umas às outras enquanto secavam o cabelo, convencidas que não eram ouvidas. Mais tarde ou mais cedo os maridos desapareciam, ou a própria família seria toda castigada. Isto enraizou-se no regime de tal maneira que tornou impossível um golpe de estado, ou uma revolução de raiz, e a única solução, segundo intelectuais Iraquianos que sobreviveram ou fugiram às garras dos Baathistas, seria uma invasão por um outro poder.

Como num filme de Borat, o próprio Saddam Hussein aprovou as marchas anti-guerra e o regime aproveitou as imagens para fortalecer a sua causa, criando propaganda a favor dos Baathistas com apoio indireto do Ocidente. Anos antes, algumas pessoas por detrás das marchas tinham se oposto ao uso de força para expulsar as forças de Saddam fora de Kuwait, e ignoraram as ameaças feitas aos Curdos no norte – que acabaram desalojados e até hoje sofrem por todo o Médio Oriente, nomeadamente pelo regime Baathista de Bashar Al-Assad, na Síria. Independentemente da solidez nas razões que inspiraram os protestos por toda a Europa e EUA, é um facto que todos os participantes, nomeadamente a esquerda, estava a querer impedir a queda de um regime ditatorial.

Porém tinham um bom argumento: ambos os EUA e União Soviética armaram e esculpiram o Iraque durante a Guerra Fria, tornando-o uma arma de estabilização da região cujo alvo principal era o Irão. A criança pródiga dos grandes poderes foi eventualmente abandonada pelos mesmos, e como resposta, revoltou-se contra os seus tutores. A suspeita caía no seu suporte à al-Qaeda nos ataques de 11 de Setembro, e na posse de Armas de Destruição Massiva, tais armas que mais tarde foi provado não existirem, mas algo que parecia escapar a muitos dos apoiantes da guerra é que tais armas, se encontradas, estavam lá porque os grandes poderes as colocaram lá, e quando se deu a invasão, estas já teriam sido vendidas ou desmanteladas nas décadas antes. Rapidamente vieram à superfície os posteriores benefícios em controlar a produção do crude, e a esquerda argumentou que a invasão do Iraque foi um golpe imperialista e corporativo, e os memes sobre a América e Petróleo ainda hoje fazem parte da cultura, não importa para que lado se olhe.

Após a Primeira Guerra Mundial os Liberais e Conservadores Britânicos deram à classe trabalhadora (homens) que vieram das trincheiras, o direito ao voto (que até altura era sufrágio censitário); FDR deu garantia de trabalho e boa educação aos soldados que regressavam da Segunda Guerra Mundial (Serviceman’s Readjustment Act); Entretanto do outro lado os Republicanos neoconservadores dos anos 90 queriam cortar o alimento à “besta”, ao mesmo tempo que enchiam os bolsos dos ricos (e a besta – o governo – tem crescido desde então), e a prioridade Republicana pós 9/11 foi cortar impostos aos ricos e encher bolsos dos Generais e decisores que não estavam em combate.

É de notar que em 2003 a maioria dos Americanos e dos Britânicos apoiava a guerra, e anos mais tarde, a maioria global viria a desaprovar a forma como os EUA lidaram com a invasão.

Mais uma vez, a esquerda tinha bons argumentos para se opor à guerra. Porém a esquerda intelectual até aos anos 90 apoiava Estalinismo-Leninismo, e isto permanece uma nódoa até hoje, especialmente no Reino Unido. Esta está hoje disposta a perdoar ou esquecer o seu passado de suporte ao Estalinismo-Leninismo, mas não tem intenção de fazer o mesmo ao seu próprio passado mais nacionalista, e abrem feridas até à época colonial em ordem a “desconstruir” o pensamento de direita, cujo qualquer pensamento mais “duro” é fascista. A esquerda tem o super poder da Tolerância Repressiva, onde se encontram imunes de todo o seu suporte, direto ou indireto, da sua veia totalitária, mas qualquer ponto de ordem vindo da direita tem de ser imediatamente abatido. Tal como em 2003, a esquerda poderia apoiar indiretamente o regime de Saddam, sabendo perfeitamente o quanto efetivo era o seu pulso de ferro, o quanto impossível era o povo revoltar-se, e o quanto as minorias como os Curdos estavam a ser massacradas.

Nick Cohen identifica quatro culpados para esta desilusão na esquerda:

1 – Socialismo para consumidores: hoje em dia é impossível alguém de esquerda não ter de encontrar soluções para os problemas no mercado. Eu costumo dizer que o capitalismo é tão bom e tão eficaz, que conseguiu adquirir o socialismo e marxismo aos apoiantes de esquerda, e vender-lhes de volta aos molhos, e ainda assim se consideram contra a máquina mesmo quando beneficiam a todas as viragens dessa mesma máquina. A diferença é que por qualquer milagre, e por grande incompetência da direita e do centro, parece estarem a ganhar terreno. Têm instituições da União Europeia e pedir mais regulação, a ONU a impulsionar a sua louca agenda social, e o maior poder Mundial a ser responsável por níveis astronómicos de vigilância e invasão de privacidade, e ainda assim, pedem mais, como parte da revolução. Entre os maiores proponentes desta revolução estão milionários, empresários e youtubers, que mostram a toda o instante o quanto bem eles vivem, e partilham os seus carros e engates, algo que vai contra os valores de muitos na classe trabalhadora que defendem, como também provam o quanto uns são mais iguais que outros.

2 – Multiculturalismo a mostrar falhas: não há dúvida que as suas lutas pela liberalização sexual, e igualdade de género e etnias produziu enormes resultados, e hoje podemos ver isso quando vamos à rua e frequentamos os locais de trabalho. Porém os liberais pós-modernos desenvolveram políticas de identidade que são anti-individualistas nos seus pressupostos. Tratam mulheres, gays e outras etnias como a sua comunidade segregada, um bloco de interesses completamente comuns e únicos. A liberdade da mulher e luta contra a violência doméstica envolve todas as mulheres, não só a mulher de esquerda, ou a mulher de colarinho branco. A orientação sexual virou trabalho. Consideram repressivo quando se fala de “outros”, e no entanto parecem não entender que outras pessoas, não importa a sua história e origens, são tão capazes de criar movimentos fascistas, oprimir mulheres e negar democracia, como qualquer outro. Criticam cristianismo a todo o turno, mas não perdem tempo em defender o Islão, e aqui nem falo da esquerda em si, falo eu como ateu, que não compreende a lógica por trás disto. Liberdade religiosa é um imperativo liberal, mas quando ataques terroristas fora e dentro do mundo Ocidental têm origem em Mesquitas locais, falar de intervenção equivale a blasfémia, e investigações que dariam luz à radicalização não podem sequer fazer notícia com o risco de políticas de combate à mesma seja vista por certos grupos influentes como um acto xenófobo. Ao mesmo tempo, enquanto lutam constantemente para despir as suas próprias mulheres – e homens – jovens de quaisquer preconceitos e tabus, respeitam muito candidamente o conservadorismo Islâmico. Em Outubro do ano passado, após a decapitação de um professor na França, sai um artigo de opinião no New York Times culpando o país vitimado pelo ataque terrorista, e não é a primeira vez que tal acontece. Fazem lembrar os parvos que culpam uma vítima violada por andar de saia. A França pelos vistos “estava a pedi-las.”

Pedem enormes qualificações para entender a filosofia por detrás do que dizem, mas como Cohen, acredito que até crianças entendem a hipocrisia nas suas políticas, políticas estas que tentam esconder por trás de esoterismo e prosa convulsa.

3 – Ilusão Liberal: apanharam uma aversão à classe trabalhadora, ora porque esta gosta de festa e anda bêbada demais para ligar aos assuntos intelectuais, ora porque mesmo que sóbria não tem inteligência suficiente para entender tais assuntos intelectuais (como Virginia Woolf via). Arranjaram forma de acusar esta classe de ser autoritária ou racista em tudo o que diz, e até com algum sucesso transformaram membros da classe média no equivalente ao Mukhabarat Baathista, censurando os seus vizinhos em ordem a ganhar estatuto. O cancelamento na sua essência é uma jogada de poder, não de justiça. Só aqueles no fundo da escada social são virtualmente imunes ao cancelamento, porque não têm nada que as classes acima cobicem. Medidas igualitárias têm o curioso hábito de favorecer os confortáveis.

Nick Cohen deixa uma citação de Christopher Hitchens “ser colocado na lista negra, é ser negado emprego por razões políticas que em nada têm a ver com a performance de trabalho.”

4 – Medo: Um desejo frenético de apaziguar seria a resposta natural em circunstâncias normais, mas se tornou omnipresente quando os cidadãos viram que os Estados Unidos e a Grã-Bretanha haviam lançado a segunda guerra do Iraque contra a pior inteligência desde que os militares americanos descartaram a possibilidade de um ataque japonês a Pearl Harbor. ‘Certamente, isso foi’ nossa ‘culpa’, disseram eles. ‘Certamente, éramos a” causa raiz “e, certamente, se admitíssemos nossa responsabilidade e mudássemos nossos caminhos, o psicopata seguiria em frente e chatearia outro estaríamos seguros.’

O medo é o mais poderoso dos motivos humanos, e a disposição de racionalizar o irracional é uma fraqueza liberal fatal. Adicione a virada desesperadora e reacionária que o pensamento esquerdista moderno tomou após o colapso do socialismo, a tolerância do intolerável inculcada pelo pós-modernismo e as dúvidas sobre a democracia na corrente liberal dominante, e espero que você possa ver por que tantos não puderam se opor ao totalitário movimentos de extrema direita ou mesmo chamá-los por seus nomes reais.

Por mais compreensível que seja a negação, continua sendo uma resposta tão lamentável ao islamismo quanto a negação da mudança climática é ao aquecimento global. Ambos os grupos de negadores acreditam que podemos continuar como antes, vivendo nossas vidas seguras e consumistas, como se nada tivesse mudado. Nenhum dos dois entende que não temos escolha a não ser enfrentar as ameaças de nosso tempo. Homens e mulheres razoáveis ​​podem discordar sobre como os enfrentamos, mas não seremos capazes de ver o mundo claramente até que tenhamos varrido os enormes montes de lixo que bloqueiam nossa visão.” – Nick Cohen

What’s Left? é bastante denso e sugiro que estejam preparados para tirar notas – e comparar com o que sabem da história – escrito por um homem de esquerda muito desiludido com o seu grupo. Foi uma viagem interessante onde ficou clara a sua provocação, e deixa alguma esperança que a esquerda encontre a razão e se modere. Reconhece que é tão difícil definir hoje o que é a esquerda, devido ao seu relativismo pós-modernista, que qualquer um consegue tomar uma posição de esquerda para ganhar pontos. Não acredito que a esquerda e direita deixem de existir, lembrando que mesmo no nosso estado natural, ou apoiaria-mos o status quo ou nos revoltava-mos, logo existirá sempre um “e-ou” quando enfrentamos ameaças. Infelizmente a esquerda perdeu-se, e parece que os eventos de 2003 e 2008 impulsionaram a sua demência. Como alguém me disse várias vezes: “As Revoluções comem os seus próprios filhos, como os Titãs comem os Deuses,” e hoje estamos a ver isto por todo o espectro.

Imagem: JK the Unwise, Public domain, via Wikimedia Commons

Published by Igor Veloso

Eternal apprentice.

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